23/06/2017 1:12
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A história da dor: de punição divina a um inimigo a ser combatido

A história da dor: de punição divina a um inimigo a ser combatido

Em seu novo livro ‘The Story of Pain’ (A História da Dor), a historiadora Joanna Bourke investigou como suportamos a dor desde a Antiguidade. Nesta entrevista, ela conta que no passado tratamos o sofrimento com rezas, acreditamos que crianças eram insensíveis e, mais recentemente, nos tornamos vítimas de dores crônicas

Durante a maior parte da história humana, a dor não era sintoma de doenças ou a reação do corpo ao mau funcionamento de um órgão. Era vista como punição divina ou forma de purificar a alma. Suportar impassível as dores excruciantes foi virtude valorizada até os anos 1970, quando a indústria farmacêutica desenvolveu analgésicos e anestésicos eficazes. Operações como amputações ou retiradas de tumores eram feitas sem qualquer alívio para os pacientes: sofrer em silêncio era sinônimo de força, dignidade e orgulho. Aqueles que reagiam com veemência à angústia eram vistos como inferiores, próximo aos animais. No entanto, a partir do momento em que o avanço da medicina tornou possível exterminar a dor por meio de pílulas, o sofrimento perdeu seu sentido místico e social e se tornou desnecessário. Para a historiadora Joanna Bourke, professora da Universidade de Londres, isso é ótimo, embora ela acredite que seja necessário dar um passo a mais na nossa compreensão da dor. “As pesquisas mostram que os analgésico são realmente eficazes e um apoio valioso para os tratamentos. Mas há uma dimensão social, cultural e histórica da dor, capaz de interferir profundamente na vida das pessoas, e às vezes os remédios não bastam para dar conta disso.”

Joanna, que lançou no fim do ano passado o livro The Story of Pain – From Prayer to Painkillers (A História da Dor – Da Oração aos Analgésicos), conta nesta entrevista que o sofrimento físico é mais que uma resposta cerebral e sensorial a certo tipo de estímulo, que os analgésicos não viciam quando receitados a quem realmente precisa deles e que a dor é um mal a ser combatido.

Fonte: Veja onlaine

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