22/10/2017 18:17
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MP descobre elo entre vereador e gestores de hospitais presos no Rio

MP descobre elo entre vereador e gestores de hospitais presos no Rio

O Ministério Público do Rio de Janeiro descobriu um elo entre o vereador Renato Moura (PROS) com os irmãos Wagner e Walter Pelegrine, os administradores da organização social Bioctech presos acusados de desviar milhões de reais de dois hospitais municipais do Rio. Conforme mostrou o RJTV, os promotores responsáveis pela apuração afirmam que há indícios do envolvimento de políticos e autoridades no esquema fraudulento.

A denúncia do Ministério Público destaca que na divisão de tarefas, Wagner exercia o controle sobre aspectos operacionais no dia-a-dia e comandava a entrega dos recursos desviados, bem como o relacionamento com políticos e autoridades.

Os promotores estão analisando agora pilhas de documentos apreendidos na operação. Eles querem explicações sobre informações contidas em escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça. Entre elas, há conversas entre Wagner Pelegrine e o vereador Renato Moura.

O diretor administrativo da Biotech, Milton de Oliveira Filho, também menciona Renato Moura como um “amigo do Walter” que liga para pedir favores “toda hora”. Em troca, segundo a denúncia do MP, o vereador exerceria influência na prefeitura do Rio em favor dos interesses dos irmãos Pelegrine .

Nas conversas, os acusados usavam codinomes para mencionar pessoas que supostamente ajudavam no esquema. “Eles se referem a apelidos como ‘o catedrático’, ‘o professor’, ‘o maior’, ‘o cardeal’, ‘o velho’. Esperamos que com o material que foi apreendido possamos obter mais informações que possam nos levar a identificação desses personagens”, disse o promotor Silvio de Carvalho Neto.

O promotor afirma não ter dúvidas de que há participação de autoridades políticas no esquema fraudulento da Biotech. “É impossível um esquema dessa monta, com essa exuberância de desvios, funcionar sem facilitação”, destacou.

Renovação de contrato
Os promotores dizem que, em setembro, a preocupação de Wagner Pelegrine era a renovação do contrato com o Hospital Pedro II, que venceria no início do ano que vem. Wagner mandou mensagem para o celular de uma pessoa, apontada como lobista do grupo. “O sub do garoto disse que recebeu a ordem e quer conversar”, disse ele na mensagem.

Os promotores suspeitam que o sub do garoto seja o sub secretário de atenção hospitalar,  Mario Celso Lima. No dia seguinte ao envio da mensagem, segundo os promotores, Wagner e ele comemoraram a possível renovação do contrato em nova troca de mensagens.

Em entrevista, o secretário Municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou que desde o início do ano tinha identificado graves irregularidades na Biotech. Segundo ele, em maio deu a ordem para não renovarem o contrato da organização social.

Porém, o Ministério Público descobriu uma carta, com data de 23 de setembro, na qual o subsecretário Mario Celso pergunta se a Biotech tem interesse em renovar o contrato nas mesmas condições e valores pactuados.

Questionado sobre a carta, o secretário Daniel Soranz afirmou se tratar de um procedimento normal, e reiterou que o contrato não seria renovado. “Pode ser uma contradição [o envio da carta], mas isso acontece por processo administrativo normal. Não aconteceu a renovação e não aconteceria. Eu posso deixar isso bastante claro”, afirmou Soranz.

Prefeito defende secretário
O prefeito Eduardo Paes comentou os codinomes usados pela quadrilha e defendeu as investigações do Ministério Público. “Acho que por enquanto o que está identificado é que ‘o garoto’ era o secretário, que é um secretário muito competente, muito jovem, trabalhador, dedicado. Tomou todas as medidas cabíveis. Acho que é importante apurar tudo, chegar até o limite desta questão para que esta quadrilha possa pagar, e eventualmente, quem tivesse envolvido pagar pelos erros que cometeu”, declarou o prefeito.

O vereador Renato Moura não quis gravar entrevista com o RJTV. Por telefone, o parlamentar confirmou que é amigo pessoal dos irmãos Walter e  Wagner Pelegrine, com quem costuma sair para beber vinho e cerveja. Também disse que tinha costume de pedir favores aos amigos, como solicitar atendimento a eleitores nos hospitais administrados pelo grupo. O vereador negou ter conhecimento das fraudes cometidas pelos responsáveis pela Biotech. Os advogados dos irmãos Pelegrine não foram localizados pela reportagem.

A prefeitura anunciou que quem vai administrar o Hospital de Acari será a organização social Viva Rio. Já a Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina vai assumir o Pedro II.

Vida de ostentação
A Policia Rodoviária Federal prendeu Walter Pelegrine Junior na manhã de quarta quando ele chegava em sua fazenda em Vassouras, no interior do Rio, dirigindo um carro Bentley avaliado em mais de R$ 1 milhão. Em sua propriedade, havia cavalos de raça, carros e artigos de luxo, que mostravam uma vida de ostentação.

De acordo com o Ministério Público, ele e seu irmão, Wagner, declaravam possuir residência em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, mas possuíam dois apartamentos cada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Somados, os imóveis custam cerca de R$ 24 milhões.

Os dois são acusados de serem os mandantes do esquema. Os recursos eram encaminhados para a empresa dos irmãos pela prefeitura do Rio, para a manutenção de hospitais, como o Pedro II, em Santa Cruz, e o Ronaldo Gazolla, em Acari.

Foram apreendidos carros importados, como duas Ferraris.  “Eles não possuíam um estilo de vida barato. Havia cavalos de raça, carros e relógios de luxo, entre outros artigos. Apreendemos tudo e vamos tentar restabelecer o erário público no valor comprovadamente desviado”, explicou o coronel Sérgio Ribeiro, da Coordenadoria de Segurança e Inteligência.

Além dos carros, foram apreendidos 40 relógios de marcas caras, além de 200 peças de jóias. Em dinheiro, foram encontrados R$ 1,5 millhão, U$ 12,8 mil, 145 libras esterlinas, 11,3 mil Euros, além de 15 liras turcas.

Esquema
A Biotech recebeu pelo menos R$ 564 milhões em contratos com a prefeitura para administrar os hospitais municipais Pedro II e Ronaldo Gazzolla, a partir de janeiro de 2012.

“Eles contrataram oito empresas que forneciam equipamentos e medicamentos, que eram de propriedade de amigos e parentes, e repassavam esse dinheiro para eles. Os medicamentos eram comparados por essas empresas por até quatro vezes mais”, explicou o promotor de Justiça Silvio Ferreira Neto, da Gais.

Segundo ele, as investigações continuam ainda. “Vamos investigar se há a participação de outros agentes do município”, garantiu.

Fonte: G1

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